Tudo transcorreu no então Distrito de Porangaba, antiga aldeia indígena, cujo nome Tupi Guarani significa “Lugar Belo”, catequizada pelos jesuítas da Companhia de Jesus. Durante o período imperial, a aldeia passara à condição de vila em 1759 denominada como Villa de Arronches, passando a partir de 1835 à condição de Distrito de Fortaleza, vindo enfim, a tornar-se bairro da capital cearense em 1921 pela Lei nº 1913 de 31 de outubro, o que levou a modificação do seu nome original para Parangaba por determinação do Conselho Nacional de Geografia. 

Numa tarde de domingo, aos 8(oito) dias do mês de janeiro do ano de 1905 (mil novecentos e cinco), um punhado de intrépidos Maçons se reunira no então Distrito de Porangaba, à Praça Bom Jesus, no Theatro Guarany, prédio ainda existente na Praça da Matriz do bairro, às 13:00h, sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil para fundar o que imaginavam ser mais uma Augusta Loja Maçônica, não imaginando que aquela Loja viria logo a deixar sua marca indelével na História da Maçonaria Cearense. Embora nascida no “distante” Distrito e batizada com o seu nome original: A∴ R∴ L∴ S∴ Porangaba, efetivamente funcionara sempre em Fortaleza.

Os fundadores desta predestinada Loja, tinham à sua frente o respeitado cidadão Casimiro Ribeiro Brasil Montenegro, nascido no então Distrito cearense de Porangaba em 3 de janeiro de 1864, tendo sido dele o último intendente e o primeiro Prefeito da Cidade de Fortaleza, no estado do Ceará, onde exerceu seu mandato de 1914 a 1918, vindo a falecer em Fortaleza, aos 30 dias de março de 1947. 

Em meio as turbulências sociais e políticas das primeiras décadas do século XX, a Loja Porangaba jamais se acomodou diante das ameaças internas e externas à Ordem Maçônica, mantendo-se convicta e firme, quais suas “colunas talhadas na rocha”, sobretudo durante o período de 1921 a 1927 quando se deflagrou o Cisma Maçônico no cerne do Grande Oriente do Brasil – GOB, decorrente de divergências entre determinados grupos de Maçons quanto às regras internacionais de regularidade da Ordem, resultando num movimento nacional que motivara a criação das primeiras Grandes Lojas brasileiras. 

Nesse contexto, a o corpo de Maçons que integravam a Loja Porangaba, decididos e determinados em cumprir com Antigas Tradições e Princípios da Ordem Maçônica, decidiram-se por aderir ao movimento emergente do Sistema de Grandes Lojas, desligando-se do GOB a 16 (dezesseis) de dezembro de 1927, abandonando as práticas e trabalhos do Rito Adoniramita, adotando desde então o Rito Escocês Antigo e Aceito e jurisdicionando-se à Grande Loja Symbolica da Parahyba, da qual se desligara a 10 de fevereiro de 1928, para fundar em 19 de março de 1928, juntamente com as Lojas Simbólicas Deus e Camocim N° 1 e Fortaleza N° 3, a Mui Respeitével Grande Loja Symbolica do Ceará, à qual ficou jurisdicionada, recebendo a Carta Constitutiva N° 2. 

O movimento fundador, capitaneado pela Loja Porangaba, teve como seu protagonista maior o Respeitabilíssimo Irmão Álvaro Nunes Weyne, o qual se tornara o primeiro Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja Cearense. Como Loja-Mãe da jurisdição maçônica cearense, coube à Loja Porangaba a dignificante tarefa de promover e estimular a fundação de várias Lojas Maçônicas no interior cearense nos primeiros anos de nossa Grande Loja nos municípios que eram servidos pela antiga ferrovia RVC (Rede Viação Cearense), já que alguns dirigentes daquela entidade e muitos de seus funcionários pertenciam ao quadro da Loja. 

Foi também num ato de benemerência, que a Loja Porangaba cedera o terreno da Avenida Imperador, 145, para a construção da sede da Grande Loja, atual Palácio Maçônico Professor Francisco Dias da Rocha. 

Desde então, ao longo de sua história centenária e de profícua existência, a Loja Porangaba Nº 2, por suas atividades de caráter beneficente e também educador, foi a primeira a receber os títulos de Benfeitora e Benemérita, trazendo no seu bojo, o fiel cumprimento dos sagrados ideais de fraternidade e beneficência traçados desde a sua fundação. 

Por tudo isso, como uma Loja-Mãe, mantém a nobre característica de receber bem a todos que lhe visitam, fazendo valer de forma humilde o seu primeiro século de exemplares trabalhos maçônicos em nosso Estado, adentrando perseverante e esperançosa o século XXI, como integrante do diminuto, respeitável e ativo círculo de Lojas Centenárias no Estado do Ceará, jamais se afastando do seu ideal originário, traçado no seu nascedouro: difundir na proclamada “Terra da Luz”, os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.